terça-feira, 15 de setembro de 2020

Medicina de biorregulação: abordagem multidisciplinar

A ABORDAGEM BIORREGULATÓRIA FAZ USO DE UMA VISÃO SISTÉMICA E MULTIDISCIPLINAR QUE, ALÉM DE AMPLIAR AS POSSIBILIDADES DO DIAGNÓSTICO, PERMITE OLHAR PARA A DOENÇA EM PROFUNDIDADE E OTIMIZAR DA GESTÃO DA TERAPÊUTICA, DE ACORDO COM A ESPECIFICIDADE DE CADA DOENTE.

 

Artigo da responsabilidade do Dr. Juan Carlos Herrera, Professor Internacional de Medicina de Biorregulação de Sistemas (BrSM); Director Médico Raul Vieira, Grupo Farmacêutico

 

Ao considerar o processo evolutivo da Medicina, verifica-se uma profunda alteração de paradigma ao longo das últimas décadas, em que a abordagem reducionista de outrora, de foco mais linear, cartesiano e limitado, tem vindo a perder terreno para uma visão sistémica, de foco multifatorial, complexa e integrada.

Este processo evolutivo está intimamente ligado ao aparecimento e desenvolvimento das chamadas Ciências Ómicas, de que são exemplo a Genómica, a Transcriptómica, a Metabolómica ou ainda a Proteómica, as quais, ao serem associadas às ferramentas bioinformáticas, têm proporcionado um inestimável contributo para uma melhor compreensão da complexidade biológica. Assim, temos hoje a oportunidade de verificar que a complexidade do organismo não pode ser reduzida a uma lista de moléculas, ou a alterações orgânicas individuais, pelo que se torna da maior importância antes entender e abordar as redes responsáveis pela regulação destas alterações.

VISÃO FECHADA

Sem qualquer sofisma, constata-se que o método científico permitiu um avanço em várias áreas da Medicina ao longo do tempo. No entanto, é também possível imputar as limitações das ferramentas que lhe estão associadas como responsáveis por dotar a visão médica de um certo grau de miopia que desvalorizou a abordagem sistémica e, consequentemente, um vasto conjunto de terapias, algumas delas ancestrais, no qual prevalece como a visão da unidade dinâmica do ser humano.

Um exemplo claro dessa visão fechada são as doenças crónicas, onde os fatores etiológicos da doença são pouco claros, e onde os diagnósticos clínicos são confinados a diferentes especialidades, tornando mais difícil a demonstração da ligação entre algumas doenças. A consequência desta abordagem é a adoção de opções farmacológicas focadas na sintomatologia, ou na tentativa de interromper o processo evolutivo da doença.

ABORDAGEM TERAPÊUTICA DA INFLAMAÇÃO

Entretanto, alguns fatores de desregulação encontram-se já identificados numa base de dados global relativa às doenças crónicas. Um dos mais importantes fatores é “a inflamação” que, sendo muitas vezes silenciosa e mimética, é também frequentemente mal interpretada e mal abordada.

Sabe-se que existe uma base inflamatória na grande generalidade das doenças crónicas, como, por exemplo, as alergias, a asma, as doenças reumáticas, os distúrbios metabólicos e endócrinos, as doenças cardiovasculares, as doenças neurodegenerativas ou, ainda, as doenças oncológicas.

Fundamentalmente, existem dois tipos de inflamação: a aguda e a crónica. Quando a inflamação é aguda, estamos perante um processo fisiológico benéfico que deve ser modulado para ser resolvido, assim como as suas causas. Por oposição, a inflamação crónica é um processo patológico resultante da desregulação de uma inflamação aguda não resolvida.

Um exemplo frequente são os quadros de infeções bacterianas recorrentes tratadas com vários antibióticos. Na prática, o doente repete os quadros infecciosos, apesar de receber os antibióticos indicados, o que pode levar à utilização de medicamentos cada vez mais complexos. Tipicamente, e na generalidade destes casos, instala-se um quadro inflamatório subagudo, que posteriormente se torna crónico. Nestes casos, o conceito de biorregulação não é tido em consideração na seleção da abordagem terapêutica, pelo que o foco se encontra exclusivamente nas bactérias enquanto principal agente causador da doença.

Leia o artigo completo na edição de setembro 2020 (nº 308)


Medicina de biorregulação: abordagem multidisciplinar publicado primeiro em https://saudebemestar.com.pt/

Hepatites: prevenir a cirrose e o cancro do fígado

AS HEPATITES TÊM CAUSAS, FREQUÊNCIAS E MANIFESTAÇÕES VARIÁVEIS, TAL COMO VARIÁVEIS SÃO OS MÉTODOS DE TRATAMENTO. COMUM A TODAS É A NECESSIDADE DE CONTROLO DOS FATORES DE RISCO E DE ESTABELECIMENTO DE UM DIAGNÓSTICO PRECOCE, COM VISTA A PREVENIR A EVOLUÇÃO PARA CIRROSE OU CANCRO DO FÍGADO.

 

Artigo da responsabilidade da Drª Joana Nunes, Gastrenterologista; Hospital Beatriz Ângelo, a convite da Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia.

 

Uma hepatite consiste numa inflamação do fígado. Os sintomas são variados, incluindo naúseas, vómitos, dor abdominal, fadiga, fezes claras, urina escura, coloração amarelada da pele e escleróticas. No entanto, é importante referir que na grande maioria dos casos as hepatites são assintomáticas.

O diagnóstico é realizado através de exames laboratoriais que revelam enzimas hepáticas (chamadas transaminases) aumentadas. Este achado, por mais ligeiro que seja, deve determinar de imediato uma investigação.

VARIEDADE DE CAUSAS

Apesar das mais conhecidas serem as hepatites víricas, existe uma variedade de outras causas de hepatite. Existem causas infecciosas (vírus, bactérias e parasitas), causas tóxicos (como o álcool, produtos ditos naturais e medicamentos), causas metabólicas (como o fígado gordo não alcoólico) e causas autoimunes.

Destaco, pela sua importância e frequência, as hepatites víricas e a esteatohepatite não alcoólica, recentemente denominada esteatohepatite associada a doença metabólica.

HEPATITES VÍRICAS

As hepatites víricas são muito frequentes, existindo múltiplos vírus que podem associar-se a um quadro de hepatite: alguns provocam uma doença sistémica que envolve vários orgãos e que pode envolver o fígado, como o citomegalovírus, vírus epstein-barr; outros provocam principalmente doença hepática (vírus hepatotrópicos).

Existem 5 principais vírus hepatotrópicos – também chamados vírus das hepatites: vírus da hepatite A (VHA), B (VHB), C (VHC), D (VHD) e E (VHE).

O VHA e VHE são transmitidos através de consumo de água ou alimentos contaminados e originam, na quase totalidade dos casos, infeções agudas.

INFEÇÕES AGUDAS

A infeção pelo VHA é mais frequente nos países em desenvolvimento, com más condições sanitárias. Contrariamente, a sua prevalência tem vindo a diminuir nos países ditos desenvolvidos. Este facto não é necessariamente vantajoso, uma vez que nas crianças a infeção é maioritariamente assintomática ou com sintomas ligeiros, enquanto que no adulto a hepatite A pode ser grave e, em casos raros, fulminante. A infeção pelo VHA é aguda, autolimitada. Existe vacina disponível.

A infeção pelo VHE tem ganho relevância nos últimos anos. Inicialmente considerada exclusiva de países em desenvolvimento, tem sido cada vez mais diagnosticada nos países desenvolvidos, mesmo na ausência de contexto epidemiológico (nomeadamente viagens a países com elevada prevalência, como a Índia ou o Paquistão). Pensa-se que nos países desenvolvidos o VHE transmite-se principalmente pelo consumo de carne pouco cozinhada de suínos contaminados.

O VHE é, tal como o VHA, uma infeção aguda, embora em alguns casos especiais possa tornar-se crónica (doentes imunodeprimidos, nomeadamente doentes transplantados).

TRANSMISSÃO PARENTÉRICA

Os VHC, VHB e VHD são de transmissão parentérica, isto é, transmissão pelo sangue (mais frequente para o VHC), por via sexual ou transmissão da mãe para o bebé (mais frequente para o VHB). Podem cursar com hepatite aguda ou hepatite crónica.

A transmissão mãe-bebé (chamada transmissão vertical) da hepatite B é a principal via de propagação do vírus nos países em desenvolvimento, onde não existem cuidados pré-natais. Deste modo, em países africanos e do Oriente, muitos bebés nascem com VHB, uma infeção que vai persistir toda a sua vida.

A hepatite C tem sido associada à toxicodependência, no entanto, existem outras formas de adquirir a doença (transfusões sanguíneas anteriores a 1992, tatuagens), incluindo um número significativo de pessoas sem fator de risco identificável.

NECESSIDADE DE ANÁLISES

Estas hepatites víricas crónicas são assintomáticas, na sua grande maioria, durante muitos anos, acabando por se manifestar numa fase em que já progrediram para cirrose ou cancro do fígado.

Deste modo, se não for realizada uma análise de sangue com as enzimas hepáticas e uma serologia viral, o indivíduo pode viver décadas sem saber que está infetado.

É fundamental que, na presença de alteração das análises hepáticas, de fatores de risco e em doentes oriundos de países endémicos, seja realizada a serologia vírica, pelo menos, uma vez na vida.

TRATAMENTOS E VACINAS

A hepatite C tem cura, tendo ocorrido nesta última década uma revolução do seu tratamento, com aparecimento de medicamentos antivíricos potentes, muito eficazes e bem tolerados, com regimes posológicos simples e curtos (2 a 3 meses).

A hepatite B, ao contrário da hepatite C, não tem cura. Existem medicamentos que conseguem inibir a replicação viral, mas não eliminam totalmente o vírus.

Nem todos os doentes com infeção pelo VHB necessitam tratamento, uma vez que, em alguns casos, não existe doença hepática apesar da infeção vírica. Mas é importante referir que existe vacina eficaz disponível para a hepatite B.

A hepatite D ou delta ocorre exclusivamente em doentes com hepatite B, cursando com uma doença mais grave.

FÍGADO GORDO

A esteatohepatite não alcoólica (EHNA) é um tipo de hepatite que ocorre em doentes com fatores de risco metabólicos como a hipertensão arterial (HTA), diabetes mellitus (DM), dislipidemia, obesidade. A acumulação de gordura a nível hepático determina alterações inflamatórias que, em alguns casos, podem levar a fibrose hepática e cirrose.

O diagnóstico deve ser equacionado perante alterações nas análises hepáticas em doentes com evidência imagiológica de fígado gordo. Em alguns países desenvolvidos, a EHNA é já a primeira causa de transplante hepático.

Não existe, atualmente, tratamento específico para esta doença. Medidas de controlo dos fatores de risco acima mencionados, incluindo perda de peso, exercício, medicamentos para controlo adequado da HTA, DM e dislipidemia, já demonstraram ser úteis para impedir a progressão da doença.

Leia o artigo completo na edição de setembro 2020 (nº 308)

 

 


Hepatites: prevenir a cirrose e o cancro do fígado publicado primeiro em https://saudebemestar.com.pt/

Fibrilhação auricular: é necessário diagnosticar atempadamente

SABIA QUE A FIBRILHAÇÃO AURICULAR AUMENTA EM 5 VEZES O RISCO DE AVC, EM 3 VEZES O RISCO DE INSUFICIÊNCIA CARDÍACA E EM 2 VEZES O RISCO DE DEMÊNCIA E DE MORTALIDADE?

 

Artigo da responsabilidade da Profª. Natália António, Cardiologista com subespecialidade de Eletrofisiologista, no Centro Hospitalar e Universitário de Coimbra; professora auxiliar de Farmacologia na Faculdade de Medicina de Coimbra; representante da Ordem dos Médicos na Comissão de Farmácia e Terapêutica da ARS; elemento da Direção da Sociedade Portuguesa de Cardiologia; elemento do Colégio de Farmacologia Clínica.

 

A fibrilhação auricular (FA) é a arritmia cardíaca mantida mais comum em todo o mundo, sendo responsável por 20 a 30% dos acidentes vasculares cerebrais isquémicos. Diagnosticar atempadamente esta arritmia pode revelar-se fundamental na prevenção de complicações como AVC, insuficiência cardíaca, demência ou mesmo morte súbita. A FA pode implicar uma significativa redução da qualidade de vida, mas pode ser controlada através da gestão de comportamentos, hábitos de vida, medicação e, nalguns casos, de ablação.

SINTOMAS MUITO LIMITATIVOS

A fibrilhação auricular associa-se a um aumento de risco para vários problemas, particularmente o acidente vascular cerebral (AVC).

Em Portugal, a prevalência desta arritmia cardíaca na população com idade igual ou superior a 40 anos é de cerca de 2,5%. A partir dos 65 anos, a prevalência aumenta para 10%, ou seja, cerca de um em cada 10 portugueses com mais de 65 anos desenvolve esta doença.

Estudos indicam que esta é uma condição que aumenta em 5 vezes o risco de AVC, em 3 vezes o risco de insuficiência cardíaca e em 2 vezes o risco de demência e de mortalidade.

Embora esta possa ser uma doença silenciosa, a verdade é que muitos doentes apresentam sintomas muito limitativos, como sensação de batimentos descoordenados do coração (palpitações), pulsação rápida e irregular, tonturas, sensação de desmaio ou mesmo perda do conhecimento, dificuldade em respirar, cansaço, confusão ou sensação de aperto no peito.

SUCESSO TERAPÊUTICO

Uma vez diagnosticada, a FA pode ser eficazmente controlada na grande maioria dos doentes, através da alteração de hábitos de vida, fármacos antiarrítmicos, ablação e terapêutica anticoagulante.

De acordo com as normas estabelecidas na maior parte dos países europeus, a maioria dos doentes com FA tem indicação para terapêutica anticoagulante oral, para prevenção do AVC e do tromboembolismo sistémico, nomeadamente através da utilização de anticoagulantes não antagonistas da vitamina K, conhecidos por NOAC. Esta decisão deve ser tomada com o envolvimento de um médico e deve, subsequentemente, haver um plano de acompanhamento do doente. O sucesso terapêutico é tanto maior quanto mais esclarecidos estiverem os doentes.

Há várias formas de fibrilhação auricular, sendo que as diferenças se prendem, sobretudo, com o tempo de duração e a persistência da arritmia. Quanto mais tarde for diagnosticada esta arritmia, mais difícil poderá ser conseguir uma terapêutica eficaz. A FA caracteriza-se pelo facto do doente apresentar um ritmo irregular que pode ser detetado nos exames ao coração, como o eletrocardiograma ou o Holter, entre outros.

 MEDIR A PULSAÇÃO AJUDA A PREVENIR ARRITMIAS

O coração assegura que o sangue é distribuído a todas as partes do corpo, variando a atividade em função das necessidades do organismo, ou seja, bombeia mais quando é necessário dar resposta a uma situação de esforço e menos quando o organismo está em repouso. Num adulto saudável em repouso, o coração bate cerca de 60 a 100 a vezes por minuto, sendo o seu ritmo regular. Quando ocorre uma arritmia cardíaca, como a FA, o coração bate de uma forma irregular.

Assim sendo, a medição do pulso é a maneira mais simples de vigiar o ritmo do coração. Esta medida simples poderá ajudar a detetar batimentos cardíacos irregulares, identificar precocemente FA e prevenir doenças graves.

FATORES DE RISCO

Muitos são os fatores de risco que podem estar na origem das arritmias. Tabagismo, stress, consumo de bebidas alcoólicas, estilos de vida sedentários, consumo de drogas, toma incorreta de alguns medicamentos e excesso de cafeína estão na origem de muitas arritmias.

Existe ainda um grupo de comorbilidades que potenciam o aparecimento de episódios de FA e que são a diabetes, a obesidade, a insuficiência cardíaca, a hipertensão arterial, a síndrome de apneia obstrutiva do sono e a doença coronária, entre outras.

Alguns fatores de risco associados à FA são modificáveis, pelo que alterar o seu estilo de vida e cumprir os tratamentos de acordo com as indicações do seu médico pode reduzir o risco de desenvolver esta arritmia e as suas complicações.

Leia o artigo completo na edição de setembro 2020 (nº 308)


Fibrilhação auricular: é necessário diagnosticar atempadamente publicado primeiro em https://saudebemestar.com.pt/

quarta-feira, 9 de setembro de 2020

Regresso ao trabalho: estratégias para ganhar motivação

O regresso ao trabalho pode ser fonte de desânimo, ansiedade e desorientação. Para enfrentar de novo a rotina, o segredo está em colocar mente e corpo em ordem.

 

Dores de cabeça, cansaço profundo, taquicardia, insónias e até problemas do foro intestinal são alguns dos sintomas da depressão pós-férias, a forma mais agravada do stress que afeta alguns de nós no momento de deixar o descanso para trás. Apesar deste distúrbio psicossomático atingir uma pequena fatia da população – alguns psicólogos e psiquiatras consideram mesmo que este tipo de depressão, enquanto tal, não existe, que a fadiga está associada a alterações somáticas difíceis de diagnosticar – a verdade é que a maioria se depara, em maior ou menor grau, com algum desalento no momento de enfrentar novamente a rotina e os compromissos.

Para evitar esta melancolia, importa adotar algumas medidas, em particular se o seu emprego é emocional e/ou fisicamente exigente. Falamos de “estratégias” mentais, mas também de cuidados físicos que, além de ajudarem a reparar os “estragos” do verão, contribuem para alimentar o bem-estar, fundamental quando nos sentimos sem motivação nem energia.

Pense já nas próximas férias

Nada eleva mais o estado de espírito do que começar já a planear as férias seguintes. Mas se estas  estão marcadas para só daqui a um ano, a sua frustração face ao retorno laboral tende a disparar consideravelmente.

Se lhe for possível, divida as férias, no mínimo, em dois períodos. O segredo está no equilíbrio: se o período for demasiado grande, dificulta o regresso à realidade e esgota a possibilidade de novas férias para breve; se for muito pequeno, não dá tempo para se alienar do stress do dia a dia.

Se o mapa das férias for bem estipulado ao longo do ano – com dias livres aqui e ali para “esticar” alguns fins de semana – conseguirá evitar excesso de cansaço. Este é, aliás, outro fator a ter em conta: evite tirar férias só quando se sentir à beira do limite. Quando assim é, corremos o risco de o stress viajar connosco e de não conseguirmos desligar as ideias. Antes de ir, deixe tudo organizado. Deste modo, evitará passar as férias a pensar naquilo que ainda lhe falta fazer.

Volte uns dias antes

Se for para fora, procure regressar, pelo menos, dois dias antes, de modo a poder habituar-se à rotina gradualmente. E porque não começar a trabalhar a meio da semana, por exemplo a uma quarta-feira? Deste modo, evita ter de enfrentar cinco dias de uma vez – se a primeira semana for mais curta, a ansiedade e o stress serão menores.

Lembre-se que o seu corpo rege-se por um ritmo próprio, uma espécie de relógio interior que regula o funcionamento do organismo segundo períodos de atividade.

Não mergulhe de cabeça no trabalho

Se à sua espera estão pilhas de documentos, tarefas e compromissos, respire fundo. Em primeiro lugar, de nada adianta começar a desesperar com a montanha de trabalho que tem pela frente. Não tente fazer tudo nos primeiros dias – além de a sua produtividade ainda ser muito reduzida, por ter estado algum tempo parado, estará a depositar pressão acrescida sobre si mesmo. Faça uma tarefa de cada vez, comece pelas mais simples e procure falar com os seus colegas e superiores de modo a perceber quais devem ser as suas prioridades. Ao envolver-se gradualmente no trabalho, não correrá o risco de se sentir “engolido”.

Pensamento positivo

As férias podem fazer-nos esquecer o que mais apreciamos naquilo que fazemos. Aproveite para refletir sobre o melhor que a sua profissão e o seu emprego lhe oferecem – seja realização pessoal, bons colegas ou remuneração atrativa. Concentre-se nos pontos positivos e verá como é mais fácil ultrapassar qualquer desconforto associado ao regresso. Está cientificamente provado que a nossa predisposição mental tem um impacto direto sobre a forma como vivemos determinadas experiências.

Desafie-se

Aproveite a “rentrée” para experimentar algo novo que ansiava há muito, seja fazer um curso de culinária ou começar a praticar desporto. Deste modo, estará a evadir-se mentalmente e a recriar sensações que tantas vezes experimentou durante as férias, altura em que somos bombardeados com impressões e informações pouco familiares, responsáveis por fazer disparar o nosso entusiasmo. A rotina faz-nos, de certo modo, esquecer este estado de espírito, pelo que só precisa de contrariá-la para conseguir o tão desejado “efeito férias”.

Mais horas de sono

O sono é o mais sacrificado durante as férias, altura em que vivemos numa certa anarquia de horários. Durante este período, os efeitos não se fazem notar, mas o ritmo do trabalho põe a nu os malefícios que advêm de dormir pouco. Procure dormir entre sete a oito horas para descansar bem e manter as ideias em ordem – quando raciocinamos com clareza relativizamos tudo o que se passa à nossa volta.

Estado de espírito passageiro

A primeira semana pode parecer-lhe penosa e difícil de ultrapassar, mas a verdade é que o seu estado de espírito durante os primeiros cinco dias não passa de uma sensação passageira. Assim que recuperar a produtividade – percebendo como se sente preenchido quando está ativo e envolvido num projeto – irá sentir-se novamente cheio de energia e motivado para abraçar novos desafios.

No entanto, se está descontente com o seu emprego, tenha cuidado: evite precipitar-se e tomar decisões sérias logo após as férias, pois o mais certo é que o seu discernimento ainda esteja toldado pela desorientação do regresso.

Invista em si

Ocupe-se com o seu bem-estar e verá como se torna bem mais fácil envolver-se novamente na realidade da sua vida. A verdade é que a maioria das pessoas aproveita as férias para se alienar – e bem – de tudo: dos compromissos, da alimentação saudável, do exercício físico. Se tem o hábito de ir ao ginásio ou de caminhar ao final do dia, procure recuperá-lo logo na primeira semana de trabalho, de modo a sentir que está, aos poucos, a readaptar-se ao seu quotidiano.

E se o pânico se instalar

Para ser considerado síndrome ou depressão pós-férias, é necessário que a tristeza associada ao regresso ao trabalho seja acompanhada de sintomas físicos específicos que condicionem o próprio quotidiano. Só quando os sintomas perduram durante os 15 dias posteriores ao início da vida laboral é que existem motivos para alarme. Neste caso, não se trata apenas do medo do regresso – um sentimento que, dizem os especialistas, está intrinsecamente ligado à liberdade que as férias proporcionam – mas, antes, de uma condição psicológica que exige acompanhamento profissional, dado que a síndrome pode ser o sinal de uma problemática latente que importa abordar com urgência.

Leia o artigo completo na edição de setembro 2020 (nº 308)

 


Regresso ao trabalho: estratégias para ganhar motivação publicado primeiro em https://saudebemestar.com.pt/

COVID-19, depressão e suicídio

No contexto da atual pandemia, há uma forte tendência para desvalorizar a sintomatologia depressiva. Por sua vez, a depressão é a principal causa de morte por suicídio. No mês em que se assinala o dia mundial da prevenção do suicídio, importa unir esforços e ajudar quem se encontra em sofrimento.

Artigo da responsabilidade da Dra. Marisa Marques, Psicóloga Clínica e da Saúde; Trofa Saúde Hospital de Barcelos e Trofa Saúde Hospital de Braga Norte.

 

A depressão consiste numa perturbação mental muito comum no ser humano. Caracteriza-se por ser uma perturbação emocional persistente, que afeta negativamente a forma como a pessoa se sente, pensa e age. Provoca, por sua vez, sentimentos de tristeza e/ou perda de interesse, nomeadamente nas atividades habituais do quotidiano, e diminui de forma significativa a capacidade funcional da pessoa, quer a nível profissional, quer a nível social.

DIAGNÓSTICO DA DEPRESSÃO

No contexto atual, a existência da pandemia de Covid-19 constituiu uma ameaça para a saúde, tanto a nível físico como psicológico, considerando-se urgente e emergente uma atitude.

De facto, estamos a viver uma situação de instabilidade emocional significativa, em que os sentimentos de angústia, tristeza, depressão, raiva, medo, bem como outras alterações, dominarão o nosso dia a dia. Como consequência, prevê-se que, haverá uma forte tendência a desvalorizar a sintomatologia depressiva, uma vez que a mesma terá poderá ser confundida com a tristeza e esgotamento, o que dificultará o diagnóstico da depressão.

CAUSA DE 800 MIL SUICÍDIOS

A depressão é o “trilho doloroso” que induz a um sofrimento intenso, conduzindo em casos extremos ao suicídio. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), em 2015, cerca de 300 milhões de pessoas tinham diagnóstico de depressão. Em Portugal, a realidade não é diferente da situação mundial: estima-se que haja cerca de um quinto da população (22,9%) com sintomatologia depressiva.

Atualmente, sabe-se que a depressão é considerada a doença que mais contribui para as mortes por suicídio, com um índice bastante elevado: falamos de 800 mil situações por ano, em todo o mundo.

Apesar de ainda ser um assunto tabu da nossa sociedade, o suicídio encontra-se entre as 10 principais causas de morte em Portugal e em todo o mundo. No nosso país, anualmente, suicidam-se cerca de 1000 pessoas. No entanto, desde o início da pandemia, o número de suicídios aumentou drasticamente, assunto que está nas primeiras páginas dos jornais, tal como os números de infetados por COVID-19.

No entanto, é mais fácil olhar para o lado e mascarar esta realidade, do que nos comprometermos.

DEVER DE ESTAR ATENTO

Todos temos o dever de estar atentos e informados sobre a depressão e as suas consequências, para unir esforços e ajudar quem se encontra em  sofrimento. Por isso, todas as atitudes são preciosas quando se suspeita que alguém possa estar depressivo e com pensamentos suicídas.

O importante, numa primeira fase, é tentar entender o que está a acontecer e quais os sentimentos associados. Não tenha medo de perguntar à pessoa porque se sente triste, deprimida e se está a pensar em suicídio (desistir de algo).

Sendo que é improvável, para não dizer impossível, que a depressão passe por si só, torna-se fundamental que o primeiro passo seja aceitar que precisamos de ajuda e, consequentemente, procurar ajuda dos profissionais de saúde mental (psicólogos e psiquiatras).

A DEPRESSÃO PRECISA SER TRATADA

A depressão, tal como as doenças físicas, precisa de ser tratada. Em todos os casos, o recurso à psicoterapia é fundamental e, em casos mais específicos, deve-se complementar o tratamento com a utilização de psicotrópicos.

Lembre-se que a grande maioria das pessoas deprimidas melhora substancialmente com um tratamento apropriado. De uma forma geral, os quadros depressivos de intensidade moderada a grave são tratáveis com a conjugação da Psicoterapia Cognitivo-Comportamental e medicação. Sendo que, em casos ligeiros, serão intervencionados apenas com Psicoterapia Cognitivo-Comportamental.

Reforço o alerta: se conhecerem alguém que possa ter uma perturbação de humor, o mais importante a ser feito é aconselhar-lhe a procurar ajuda. Não devemos minimizar a depressão, antes pelo contrário, devemos ser ativos na procura de uma resposta.

A saúde mental é um assunto sério: sem saúde mental não há saúde.

Leia o artigo completo na edição de setembro 2020 (nº 308)

 


COVID-19, depressão e suicídio publicado primeiro em https://saudebemestar.com.pt/

Alzheimer: a doença do esquecimento

Ainda não se conhecem as causas exatas da doença de Alzheimer, embora constitua uma das prioridades para a ciência médica. O que se sabe ao certo é que, quanto mais cedo for detetada, mais efetivos são os tratamentos. Conheça os fatores de risco, os sintomas, as etapas da doença e alguns dos mais recentes avanços terapêuticos.

 

Alzheimer é uma doença neurodegenerativa crónica, que se caracteriza pela perda progressiva das funções cognitivas cerebrais, como a memória, o juízo, o pensamento abstrato e a linguagem, bem como pelo aparecimento de problemas psicopatológicos e comportamentais.

Esta doença provoca um elevado grau de incapacidade para o doente, condicionando fortemente a sua vida e, também, a dos seus familiares ou cuidadores.

A doença de Alzheimer é a causa de demência mais frequente entre os idosos, embora a sua génese ainda seja desconhecida. Nos jovens, é extremamente rara, sendo meramente ocasional entre pessoas de meia-idade. Torna-se mais frequente, isso sim, à medida que a idade avança.

Estima-se que, em Portugal, mais de 200.000 pessoas sofram de demência, 60% a 70% dos casos correspondendo a doença de Alzheimer.

Fatores de risco

Uma questão que os investigadores continuam a colocar é: como se desencadeia a doença de Alzheimer? O desconhecimento da causa concreta desta patologia está rodeado de mistério, existindo muitas teorias diferentes, embora nenhuma concludente.

O que se conhece são os fatores que podem influenciar o seu desenvolvimento e, provavelmente, acelerá-lo.

Idade – É o fator de risco mais evidente. A partir dos 65 anos, a probabilidade de sofrer Alzheimer aumenta notavelmente. As pessoas que ultrapassam esta idade têm cerca de 10% de probabilidades de sofrer Alzheimer; a partir dos 75 anos, a probabilidade aumenta para 20%; a partir dos 85, para 40% e assim sucessivamente.

Especialistas assinalam, ainda, que as mulheres são mais vulneráveis à enfermidade, não porque a probabilidade de sofrê-la seja maior, mas porque têm uma esperança de vida mais alargada.

Herança genética – As pessoas com antecedentes familiares de Alzheimer podem apresentar um maior risco de desenvolver esta doença, embora não seja um fator muito importante em termos absolutos, já que depende da confluência de outros fatores. De acordo com as estatísticas, apenas 1% dos casos de Alzheimer têm antecedentes familiares.

Educação – Ter uma mente ativa e um elevado nível de escolaridade – e, portanto, de estímulos cerebrais – pode influenciar como fator de proteção.

Vida saudável – Os fumadores, os hipertensos, os diabéticos e as pessoas com colesterol elevado têm maiores probabilidades de desenvolver Alzheimer ou qualquer outra demência.

Leia o artigo completo na edição de setembro 2020 (nº 308)


Alzheimer: a doença do esquecimento publicado primeiro em https://saudebemestar.com.pt/

quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Retome as suas rotinas saudáveis

Setembro é o mês de recomeços. Regressar ao trabalho, retomar rotinas e voltarmos a ter mais tempo para cuidar de nós. As férias terminaram e o descanso é sempre bom para recuperar energias, mas agora é tempo de continuar o caminho que temos feito e superar objetivos individuais.

Para quem pretende recuperar a motivação, (re)começar os seus treinos, reforçar o sistema imunitário, adotar uma alimentação mais equilibrada e voltar a cuidar da sua saúde e do seu bem-estar, o Holmes Place tem uma campanha para arrancar setembro da melhor maneira.

Para novos sócios, o Holmes Place propõe um regresso ao ginásio sem compromisso, oferecendo ainda a mensalidade deste mês – assim, só começa a pagar em outubro.

 


Retome as suas rotinas saudáveis publicado primeiro em https://saudebemestar.com.pt/